segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Sobre a “Normalidade”

"Para tornar claro qual a finalidade dessa fase de transformação e qual o significado desse termo "transformação" – que talvez possa soar um tanto estranho - é preciso levar em consideração, antes de mais nada, qual a necessidade da alma que passou despercebida nas fases anteriores. Em outras palavras é preciso perceber o que mais ela poderia exigir, além e acima de tornar-se um ser social normalmente ajustado. Ser normal é a coisa mais útil e conveniente que se possa conceber. Mas a simples noção de "normal" ou "ajustado" já implica limitar-se à média, que s6 pode ser sentido como progresso por aquele que, por si, já tem dificuldade em dar conta da sua vida dentro do mundo que o cerca, como, por exemplo aquele que, devido à sua neurose, é incapaz de levar uma existência normal. Ser "normal" é a meta  ideal para os fracassados e todos os que ainda se encontram abaixo do nível geral de  ajustamento. Mas para as pessoas cuja capacidade é bem superior à do homem médio, pessoas que nunca tiveram dificuldade em alcançar sucessos e cujas realizações sempre foram mais do que satisfatórias, para estas, a ideia ou a obrigação moral de não ser mais do que normal: significa o próprio leito de Procusto, "Isto é, o tédio mortal, insuportável, um inferno estéril sem esperança. Consequentemente, existem dois tipos de neuróticos: uns que adoecem porque são apenas normais e outros, que estão doentes porque não, conseguem tornar-se normais. A simples ideia de que alguém poderia querer educar os primeiros para a normalidade representa para eles o maior pesadelo, pois a necessidade mais profunda dessas pessoas é, na verdade, poder levar uma vida extranormal." (Jung, OC. XVI/1 - § 161).

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