"A escritura está diante de ti e diz sempre a mesma coisa se acreditas em palavras. Mas se acreditas em coisas para as quais foram estabelecidas apenas palavras, nunca chegarás ao fim. E assim mesmo precisas caminhar pela estrada sem fim, pois a vida não flui sobre caminhos limitados, mas ilimitados. Mas a ausência de limites te mete medo, pois o ilimitado é assustador, e teu humano se revolta contra isso; por isso procuras limites e restrições para que não te percas cambaleando para dentro do infinito. Restrição será imprescindível para ti. Tu gritas pela palavra que tem este único significado e nenhum outro, a fim que escapes do ambíguo ilimitado. A palavra será Deus para ti, pois ela te protege das inúmeras possibilidades de interpretação. A palavra é magia protetora contra os demônios do infinito que querem arrancar tua alma e espalhá-la aos quatro ventos. Estás salvo se puderes finalmente dizer: isto é isto e somente isto. Tu dizes a palavra mágica, e o ilimitado está preso no finito. Por isso as pessoas procuram e criam palavras." (Jung, 2010, Livro Vermelho, p. 270).
Este espaço é reservado para momentos, pensamentos, reflexões, citações, mitologia, religião, alquimia e qualquer outra coisa que me venha a cabeça.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
terça-feira, 23 de novembro de 2010
...
Quando tudo for diferente, talvez possamos permitir a nós mesmos experiênciar a vida que sempre quisemos mas nunca tivemos a coragem de dar o primeiro passo.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Inferno...
"Todo o odiado e todo o nojento é teu inferno todo especial. Poderia ser diferente? Todo inferno diferente seria ao menos digno de ser visto ou divertido. Mas isto não é nunca o inferno. Teu inferno está construído de todas as coisas que tu atiras com uma maldição e um pontapé para fora de teu santuário. Quando entras em teu inferno, não penses jamais que entras como alguém que sofre em termos de beleza ou como em desprezador orgulhoso, mas entras como um imbecil curioso e admiras as migalhas que caíram de tua mesa." (Jung, 2010, Livro Vermelho, p. 264).
Abismo da alma
Quando você tiver a coragem de fazer um mergulho no mais sombrio da sua alma. Quando você tiver a ousadia de admitir que tudo o que você mais ama e se identifica não é mais do que apenas um pálido reflexo de tudo o que já foi visto e feito, mesmo antes de você existir. E quando você tiver a humildade de se curvar diante do seu maior inimigo e reconhecer a superioridade deste diante de ti. Quando o mundo da luz virar o mundo das sombras, e quando o seu Deus externo estiver morto, só assim você estará pronto para receber a dádiva de conhecer a mais bela de todas as dádivas...encontrar o potencial divino que habita dentro de você...seu centro, sua totalidade...sua outra metade que foi brutalmente arrancada de ti quando te puseram no mundo e te obrigaram a seguir um Deus que vive no além, no infinito distante...é, muitas maldades fizeram contigo...mas aceita...lembra que o herói perece por excesso de auto-confiança, tenha medo, respeite, aceite e reverencie o seu medo, sua luta é mental, de que adianta a espada que corta a cabeça da Hidra, se para cada uma cabeça que é cortada nascem duas em seu lugar, o melhor a fazer e se entregar, se entregue ao vazio, não se apegue a nada e aceita esse Daimon que habita o abismo de sua alma, só ele pode te levar a presença da divindade, ele é o porteiro, e a unica moeda que ele cobra é a reverência...lembre-se disso quando você for fazer esse mergulho.
O reencontro da alma
"Minha alma, onde estás? Tu me escutas? Eu falo e clamo a ti - estás aqui? Eu voltei, estou novamente aqui - eu sacudi de meus pés o pó de todos os países e vim a ti, estou contigo; após muitos anos de longa peregrinação voltei novamente a ti. Devo contar-te tudo o que vi, vivenciei, absorvi em mim? Ou não queres ouvir nada de todo aquele turbilhão da vida e do mundo? Mas uma coisa precisas saber: uma coisa eu aprendi: que a gente deve viver a vida." (Jung, 2010, Livro Vermelho, p. 232).
Lição para um terapeuta
"Não se deve fazer da pessoa uma ovelha, mas da ovelha uma pessoa. Isto exige o espírito da profundeza que está além do tempo presente e passado. Falai e escrevei para aqueles que querem ouvir e ler. Mas não corrais atrás das pessoas, para não manchar a dignidade da humanidade - ela é um bem tão raro. É preferível um declínio triste com dignidade do que ser sadio sem dignidade. Quem quer ser um médico de almas trata a pessoa como um doente. Ele ofende a dignidade humana. É uma impertinência dizer que a pessoa está doente. Quem quer ser um pastor de almas trata as pessoas como ovelhas. Fere a dignidade humana. É um desrespeito dizer que a pessoa é como uma ovelha. Quem vos dá o direito de dizer que a pessoa está doente ou é uma ovelha? Dai-lhe a dignidade para que a pessoa possa encontrar sua ascensão ou decadência, seu caminho" (Jung, 2010, Livro Vermelho, p. 231).
domingo, 21 de novembro de 2010
Angústia
A angústia não é de todo ruim se você sabe a razão dela existir. O pior é quando sentimos aquela sensação de coração apertado no peito e não fazemos idéia de onde isso vem. A angústia é uma daquelas coisas desagradáveis que existem e que você não pode fazer nada a respeito, a não ser esperar que o tempo dê cabo dela. É... dizem os sábios que o tempo é sempre o melhor remédio, a pena é que na nossa impressão os momentos de prazer duram tão pouco e os momentos de sofrimento parecem nunca ter fim.
Sobre a natureza humana:
" Em geral nos recusamos a admitir que exista, dentro de nós ou dos nossos amigos, de forma plena, a impulsionadora, auto-protetora, malcheirosa, carnívora e voluptuosa febre que constitui a própria natureza da célula orgânica. Em vez disso, costumamos perfumar, lavar e reinterpretar, imaginando, enquanto isso que as moscas e todos os cabelos que estão na sopa são erros de alguma desagradável outra pessoa."
(Joseph Campbell, 2007, O herói de mil faces, p. 121-122).
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