“...sei que um vulto imenso, uma figura de mulher me apareceu então,
fitando-me uns olhos rutilantes como o sol. Tudo nessa figura tinha a vastidão
das formas selváticas, e tudo escapava à compreensão do olhar humano, porque os
contornos perdiam-se no ambiente, e o que parecia espesso era muita vez
diáfano. Estupefato, não disse nada, não cheguei sequer a soltar um grito; mas,
ao cabo de algum tempo, que foi breve, perguntei quem era e como se chamava:
curiosidade de delírio.
—
Chama-me Natureza ou Pandora; sou tua mãe e tua inimiga.”
(Memórias Póstumas de
Brás Cubas – Machado de Assis)
Nenhum comentário:
Postar um comentário