Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos
os sonhos do mundo
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões
do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que
saberiam?)
Saio da janela, sento-me numa
cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que
não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser
tanta coisa! (Fernando Pessoa – 1928)
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