"E eis, precisamente, a realidade e o
significado da Sombra: cada um de nós poderia conceber e cometer qualquer
atrocidade ou alcançar a maior grandeza de que a humanidade é capaz; a Sombra é
o resto de quem somos. Para cada virtude que adotamos, seu oposto precisou
permanecer sem desenvolvimento, inconsciente. Embora tenhamos o direito de considerar
o assassino, o ladrão, o adúltero, o terrorista, a prostituta, o blasfemador, o
traficante de drogas, o extorsionário ou o racista que existem dentro de nós
como sinistros e maus, não temos o direito de considerá-los como absolutamente
não-existentes dentro de nós. Não podemos negar essa possibilidade; não podemos
"esquecer o nosso rabo". Não podemos ousar esquecer que possuímos,
como disse o Cristo, uma "baixeza" interior assim como possuímos nossas
baixezas exteriores: foi essa "baixeza" (junto com todas as outras
partes primitivas, inferiores e não-desenvolvidas de cada um de nós) que
negligenciamos em favor das nossas partes superiores, virtuosas, capazes e
habilidosas. Foi a negligência, a supressão e a repressão dessas
"baixezas" que tornou possível o cultivo de seus opostos." (Ao
encontro da sombra - pag. 283)
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