sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Da preguiça

"De todas as paixões, a mais desconhecida de nós mesmos é a preguiça; é a mais ardente e a mais maligna de todas, embora sua violência seja insensível e os danos que ela causa fiquem bem escondidos. Se considerarmos atentamente seu poder, veremos que em todos os encontros ela se torna dona dos nossos sentimentos, interesses e prazeres: é a rêmora que tem a força de deter as maiores embarcações; é a bonança mais perigosa para os assuntos importantes que os escolhos e as mais violentas tempestades. O  repouso da preguiça é um encanto secreto da alma que susta repentinamente as mais ardentes diligências e as mais obstinadas resoluções; para dar, enfim, a verdadeira idéia desta paixão, é preciso dizer que a preguiça é como uma beatitude da alma que a consola de todas as suas perdas e que substitui os seus bens." (La Rochefoucald, Maxime DCXXX, p. 264).

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