"A escritura está diante de ti e diz sempre a mesma coisa se acreditas em palavras. Mas se acreditas em coisas para as quais foram estabelecidas apenas palavras, nunca chegarás ao fim. E assim mesmo precisas caminhar pela estrada sem fim, pois a vida não flui sobre caminhos limitados, mas ilimitados. Mas a ausência de limites te mete medo, pois o ilimitado é assustador, e teu humano se revolta contra isso; por isso procuras limites e restrições para que não te percas cambaleando para dentro do infinito. Restrição será imprescindível para ti. Tu gritas pela palavra que tem este único significado e nenhum outro, a fim que escapes do ambíguo ilimitado. A palavra será Deus para ti, pois ela te protege das inúmeras possibilidades de interpretação. A palavra é magia protetora contra os demônios do infinito que querem arrancar tua alma e espalhá-la aos quatro ventos. Estás salvo se puderes finalmente dizer: isto é isto e somente isto. Tu dizes a palavra mágica, e o ilimitado está preso no finito. Por isso as pessoas procuram e criam palavras." (Jung, 2010, Livro Vermelho, p. 270).
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